As flores da fronteira

POR RICARDO OROZCO © 2019

Publicação Original: https://anthemon.es/publicaciones/articulos-ricardo-orozco/236-las-flores-de-la-frontera

Traduzido por Antonio César

flores_frontera_900Se classificarmos as essências florais de Bach na ordem em que foram descobertas, temos 3 grupos:

1º: os 12 curadores

2º: os 7 auxiliares

3ª: os últimos 19

O primeiro grupo está relacionado, pelo menos no início da obra de Bach, com 12 personalidades que  envolvem um defeito para resolver e uma lição para aprender, vinculada com a correção desse defeito. Uma tarefa da alma neste “dia da escola terrena” chamado vida. A alma, ao encarnar, se veste de carne e mente para adquirir um aprendizado.

O segundo grupo, sempre a partir dos textos iniciais do Dr. Bach, está relacionado a redirecionar a personalidade primitiva para o caminho traçado pela alma, que coincide com as doze personalidades anteriores.

Finalmente, o terceiro grupo, que Bach chama de flores mais espiritualizadas, parece destinado a nos ajudar a lidar com as dificuldades, muitas vezes dramáticas, que podem nos tirar do caminho.

Com o passar do tempo, e sobretudo após os esquemas misteriosos de Bach, o “espelho” e “circular”, surgiram teorias interessantes que de alguma forma propuseram uma estrutura hierárquica, tanto evolutiva como tratamento cotidiano.

Mas além dessas considerações, não deixa de me surpreender as primeiras e últimas flores de cada grupo, as flores de limite, de uma fronteira hipotética, que se tornam o interruptor de início e fim de três grupos bem diferenciados. E isso tem um grande significado para mim, porque cada flor inicial é o motor que impulsiona um lote floral, e o último se torna um final, o que leva o próprio Bach a acreditar que seu sistema está acabado. Não acerta quando os dois primeiros grupos se concluem, mas quando finaliza o terceiro.

Se olharmos de perto o primeiro grupo, vemos que ele começa com Impatiens (1928 e 1930)[1] e termina com Rock Rose (1932). Além do fato de que estas são duas tipologias, as essências têm uma ampla gama de ação em todos os seres vivos. Ele está trabalhando em duas flores funções instintivas, sobrevivência, conectadas com circuitos de alarme (aceleração e pânico), então eles serão incorporados no que é agora conhecido como Rescue Remedy. É que essa alma imortal encarnada em um corpo precisa que o frágil vestido perecível em que vive sobreviva numerosos perigos e armadilhas.

Quando o Dr. Bach prepara Rock Rose, que ele chama inicialmente de Rescue (Resgate), acredita que o sistema está completo e publica The 12 Healers – Os 12 Curadores (1932). Na verdade, se passam entre 9 e 10 meses de trabalho intenso e frutífero com apenas estas doze essências, até o aparecimento do primeiro auxiliar: Gorse (1933). Se pensarmos nele descobrimos que, ainda que se sobreviva fisicamente, você pode render-se às dificuldades da vida, jogar a toalha e desistir, navegar à deriva renunciando a toda a participação e deixando que seja qualquer outro, talvez o acaso, quem governa o navio.

E, precisamente, pode ser que tenhamos perdido o rumo, o caminho traçado pela alma, que nos leva à necessidade de um guia intuitivo. É preciso recuperar o roteiro traçado pela alma. Porque a vida tem um significado preciso, embora agora não o entendamos e muitas vezes estejamos tão perdidos. É por isso que Bach prepara em 1934 Wild Oat, a bússola inteligente para recuperar a direção perdida.

E será com essa essência última com a qual Bach dá por concluída a busca das essências, embora ainda não saiba que esperam por ele outras 19. Se retira para a casa de Sotwell, onde espera descansar e garantir que o seu trabalho se consolide e difunda.

Porém as tarefas da alma às vezes implicam provas terríveis. E por isso não me surpreende que em 1935, o próprio Bach sofre uma terrível dor de sinusite que o impele a preparar Cherry Plum, a essência que se destina a recuperar a calma quando acredita que vai ficar louco. Assim começaria o dramático ciclo do terceiro grupo. Lembremos que nessas últimas essências Bach experimenta na própria pele, e uma forma maximizada, os estados que vão levar a encontrar a essência precisa que ajudará a superá-los. Nora Weeks é clara a esse respeito. [2]

Se trata assim de uma prova duríssima de seis meses que termina na apoteose, ou melhor, no apocalipse, de Sweet Chestnut. E esta essência da angústia existencial, da noite escura da alma, explica a morte simbólica do ego e o nascimento de uma nova personalidade, agora definitivamente orientada ao ditame da alma. Por isso é lógico que seja Sweet Chestnut a última flor do sistema … desta vez definitivamente. E creio que Bach foi consciente disso, já que ele sobreviveu quatorze meses após sua última criação, treze deles trabalhando, fazendo conferências, apesar de sua saúde sempre frágil. Poderia ter preparado mais 30 essências naqueles últimos treze meses, se pensarmos que o método de cozimento é mais curto que o método de solarização, e dado que em apenas 6 meses de 1935 obteve 19 novas flores. Mas não, ele percebeu que Sweet Chestnut é a flor definitiva, o verdadeiro fim da criação e o nascimento de um sistema completo, como o conhecemos hoje.

[1] Inicialmente, o Dr. Bach prepara Impatiens pelo método homeopático, por dois anos após a solarização da essência.

[2] Veja Weeks, Nora. As descobertas do Dr. Edward Bach. Lidiun Buenos Aires, 1993 / Indigo. Barcelona, ​​2007.

 

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